Defesa Civil continua em estado de atenção no Rio.
Número de mortos chega a 221 no estado, segundo órgão.
A pior chuva dos últimos 44 anos no Rio já deixou 40.482 desalojados em todo o estado, segundo a Defesa Civil. De acordo com boletim divulgado na manhã deste sábado (10), outras 11.562 pessoas estão desabrigadas. O órgão continua em estado de atenção, com previsão de chuvas leves e moderadas durante o dia e a noite deste sábado.
O Corpo de Bombeiros informou que o número de mortos por causa das chuvas no Rio chega a 221. O município de Niterói registrou o maior número de vítimas fatais, 138. O deslizamento no Morro do Bumba, considerado o maior da história de Niterói, já deixou 31 mortos e dezenas de feridos.
Ainda segundo o boletim da Defesa Civil, Niterói possui 1.069 desalojados e 1.272 desabrigados. Na capital, são 1.410 desalojados e 544 desabrigados. O número de desalojados e desabrigados no município de São Gonçalo, na Região Metropolitana, chega a 36.450 e 8.718, respectivamente.
Outros municípios que registraram desalojados e desabrigados foram: Mangaratiba, Rio Bonito, Itaboraí, Guapimirim, Araruama, Seropédica, Petrópolis, Maricá, Tanguá, São Pedro da Aldeia, Saquarema, Magé, Iguaba Grande, Queimados e Cachoeiras de Macacu.
O sábado começou com sol em grande parte do estado, mas ainda há muitas nuvens por causa dos ventos úmidos que chegam do mar. Mesmo com tempo bom, a previsão para esta tarde é de pancadas de chuva principalmente na Região Serrana. Nas demais regiões do estado, a previsão é de muita nebulosidade e possibilidade de chuva.
Bombeiros que fazem os resgates de corpos em Niterói informaram que foi encontrado mais um corpo sob a terra que deslizou. As equipes de resgate encontraram durante a madrugada deste sábado (10) mais dois corpos no Morro do Bumba, em Niterói, Região Metropolitana do Rio.
Ajuda do governo federal
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou na sexta-feira (9)a liberação de uma linha de crédito para prefeituras que decretaram situação de emergência e estado de calamidade pública. Segundo Lupi, o crédito pode chegar a R$ 1 bilhão, com juros de 3%, pelo programa Pró-Moradia Emergencial, com um prazo de financiamento de até 30 anos.
De acordo com o ministro, as prefeituras do Rio, de Niterói e de São Gonçalo, na Região Metropolitana, estão aptas a receber o dinheiro, contanto que apresentem projetos de construção de casas.
O ministro também afirmou que o saque do FGTS para quem foi atingido pela chuva pode ser sacado já na segunda-feira (12). Lupi disse que há um limite de R$ 4,6 mil para o saque.
Lupi informou que, na tragédia em Santa Catarina, 95% dos atingidos sacaram o dinheiro.
O ministro estava acompanhado do prefeito do Rio Eduardo Paes, que reafirmou que a prefeitura vai retirar famílias de áreas de risco.
Paes disse que os R$ 90 milhões que o governo federal disponibilizou ainda não estão em uso, mas que as obras emergenciais, onde o dinheiro será empregado, já estão sendo feitas. Ele deu como exemplo a desobstrução da Estrada da Grota Funda.A Guarda Municipal já arrecadou 15 toneladas de doações (Foto: Divulgação/Guarda Municipal)
Os moradores do Rio e de Niterói atenderam aos pedidos por donativos para os desabrigados e desalojados pelas enchentes e deslizamento ocorridos nesta semana. Ao todo, foram doadas até agora cerca de 48 toneladas de alimentos, água potável, produtos de higiene, fraldas, cobertores e roupas.
Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) do Rio de Janeiro informou que já foram arrecadadas 20 toneladas de doações para as vítimas das enchentes e deslizamentos nos postos de recolhimento.
Um dos coordenadores dos resgates após o deslizamento que atingiu dezenas de casas no Morro do Bumba, no bairro Cubango, em Niterói, diz que a tragédia o afetou diretamente. O coronel Alves Souza cresceu a cerca de dois quilômetros do local.
"Eu sou nascido e criado na rua São José, que fica a dois quilômetros do Bumba. Muita gente que morreu lá eu conhecia. E no lixão, eu conhecia gente que morreu. Isso é muito ruim, não que possam morrer pessoas desconhecidas. Mas é difícil porque me ligam muito, perguntam o que posso fazer, mas não tenho fórmula mágica", disse ao G1 o coronel.
Os moradores do Morro do Céu, também em Niterói, consideram a região uma 'bomba-relógio' e acreditam que, se a chuva continuar, uma tragédia pode acontecer no local com mais gravidade do que o último deslizamento. Parte da preocupação deles é com o lixão que funciona no local e a presença de gases e chorume que escorre pelo terreno.
"O Morro do Céu é uma bomba-relógio que pode explodir a qualquer momento. Aquele lixão vai provocar uma tragédia igual a do Morro do Bumba. Isso porque o aterro de lá estava desativado e, este aqui, está em pleno funcionamento", disse Marino Gonçalves de Medeiros, 59 anos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário